
Menopausa é uma palavra que carrega muito peso e pouca informação concreta. Muitas mulheres chegam a essa fase sem saber o que esperar, confundindo sintomas do climatério com outras condições, ou normalizando desconfortos que têm abordagem possível.
Este artigo explica o que é a menopausa, quando ela começa, quais sintomas fazem parte dessa transição e o que as evidências científicas mais atuais dizem sobre as opções de cuidado.
O que é a menopausa?
A menopausa é definida clinicamente como a ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, sem outra causa identificável. É um marco fisiológico, não uma doença. Ela acontece quando os ovários reduzem progressivamente a produção de estrogênio e progesterona, encerrando a fase reprodutiva.
No Brasil, a menopausa ocorre em média entre os 48 e os 52 anos. Mulheres que entram em menopausa antes dos 40 anos têm uma condição chamada insuficiência ovariana prematura (IOP), que merece avaliação específica e diferenciada.
A fase que antecede a menopausa é chamada de perimenopausa ou climatério. Ela pode durar de 2 a 10 anos e é quando a maioria dos sintomas começa a aparecer, mesmo com a menstruação ainda presente.
Sintomas mais comuns da menopausa
Os sintomas variam muito de mulher para mulher. Algumas atravessam o climatério com impacto mínimo no dia a dia. Outras apresentam sintomas intensos que afetam sono, trabalho e relacionamentos. Ambas as experiências são válidas e merecem atenção clínica.
Os sintomas mais frequentes incluem fogachos e suores noturnos: sensações súbitas de calor, geralmente no tronco e no rosto, que podem durar segundos a minutos. Afetam cerca de 75% das mulheres, segundo dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), e variam muito em intensidade.
Alterações do sono também são frequentes, com dificuldade para adormecer, despertar frequente durante a noite e sensação de cansaço ao acordar. Muitas vezes estão relacionados aos fogachos noturnos, mas podem acontecer independentemente deles.
Irritabilidade, ansiedade e oscilações emocionais têm origem tanto hormonal quanto contextual: essa fase da vida costuma coincidir com transições intensas de papel social e familiar. Os dois aspectos merecem ser avaliados e cuidados.
O ressecamento vaginal e a síndrome geniturinária da menopausa (SGM) são causados pela queda de estrogênio que afeta a mucosa vaginal e uretral. Os sintomas incluem ressecamento, desconforto nas relações e infecções urinárias de repetição.
Dificuldades cognitivas como esquecimento, dificuldade de concentração e lentidão de raciocínio são queixas frequentes, especialmente durante o período de transição hormonal.
Por fim, a perda óssea se acelera com a queda estrogênica, aumentando o risco de osteoporose ao longo dos anos seguintes.
O que a ciência de 2026 diz sobre tratamento
A abordagem da menopausa evoluiu significativamente. A visão atual é mais individualizada, menos baseada em protocolos únicos e mais fundamentada na avaliação dos benefícios e riscos para cada mulher.
Terapia de reposição hormonal (TRH)
A TRH permanece como a abordagem mais eficaz para o controle de fogachos, melhora do sono e proteção óssea em mulheres com indicação. A revisão mais recente das evidências mostra que o risco associado ao tratamento depende de vários fatores: tipo de hormônio, via de administração, idade de início e tempo de uso.
O conceito de “janela de oportunidade terapêutica” está consolidado: mulheres que iniciam a TRH próximas à menopausa (antes dos 60 anos e com menos de 10 anos desde a última menstruação) tendem a ter melhor perfil de benefício e risco.
A decisão sobre iniciar, continuar ou não usar TRH é individualizada e compartilhada entre a médica e a paciente, levando em conta sintomas, histórico, preferências e contraindicações.
Abordagens não hormonais
Para mulheres com contraindicação à TRH ou que preferem não utilizá-la, existem alternativas com evidência crescente. Alguns medicamentos não hormonais têm evidência para controle de fogachos. O estrogênio vaginal em doses baixas, para uso local, tem absorção sistêmica mínima e pode ser indicado mesmo para mulheres com contraindicação à TRH sistêmica.
Tecnologias como a radiofrequência fracionada têm sido estudadas para a SGM, com evidências crescentes para melhora dos sintomas locais, e são parte das discussões mais recentes no campo.
Atividade física regular (especialmente exercício resistido), alimentação equilibrada e cuidado com o sono integram qualquer plano de cuidado na menopausa, mas não substituem intervenções específicas quando os sintomas são moderados a intensos.
Quando procurar avaliação médica
Qualquer sintoma que impacte a qualidade de vida merece avaliação, não normalização. Não existe limite mínimo de sintoma para consultar.
Situações que justificam avaliação mais rápida incluem sangramento vaginal após a menopausa (que sempre merece investigação), sintomas genitourinários que impactam a sexualidade, sintomas que afetam o sono de forma significativa e preocupação com saúde óssea ou histórico familiar de osteoporose.
A menopausa é uma fase natural, mas não precisa ser suportada em silêncio. Os sintomas têm causas identificáveis e abordagens possíveis. A ciência avança continuamente nessa área, e a decisão sobre o cuidado é sempre tomada de forma individualizada.
Se você está no climatério ou pós-menopausa e quer entender melhor o que está acontecendo com o seu corpo, o primeiro passo é uma avaliação ginecológica completa.
Dra. Fernanda Laranjeira Mendonça
Ginecologista | Obstetra
CRM 36204 RS | RQE 28509
(O conteúdo e as informações deste post têm caráter informativo e educacional. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico)
